domingo, 5 de junho de 2016

"O dinheiro nos torna ruins?" - Paul Piff

Palestra muito interessante do pesquisador da Universidade da Califórnia Paul Piff: "O dinheiro nos torna ruins?"

De uma forma muito sóbria ele fala a respeito da ganância que a acumulação pode gerar. 

Ele começa com um exemplo muito fácil de compreender: Imagine que você está jogando Monopoly (Banco imobiliário) mas você começa o jogo com o dobro de dinheiro do que seu adversário, pode usar dois dados e ele apenas um. Certamente com o tempo você estará muito mais rico.

Na realidade isso não foi apenas um exemplo, foi um experimento que ele realizou com diversos participantes. Na sua palestra ele mostra o vídeo com os resultados.

Ser rico não significa ser mau e ser pobre não significa ser bom. Mas o mais legal é que no final ele aponta boas direções de como lidar com essa influência negativa do dinheiro. 

Ainda estou ponderando a respeito mas, acredito que tudo é uma questão de alinhamento de valores, algo que é trabalhado, por exemplo, em sessões de coaching.

Assista e tire suas conclusões. Somente 15 minutos.


Documentário: "Why Poverty" (Por que Pobreza?)

"Documentário busca as raízes da pobreza em vários momentos da história humana, como a conquista e a pilhagem das Américas, a escravidão e sabotagem às economias africanas, passando pela revolução industrial, a Guerra de Canudos, o imperialismo europeu e o nascimento do terceiro mundo, até chegar em nossa era, que vive um momento crítico, onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, mas também mostrando alguns casos de países que estão diminuindo a pobreza, como o Brasil."  (contexto livre)


Acabei de assistir a parte 8 desse documentário. Bono Vox, da banda U2, e o músico Bob Geldof, ambos irlandeses, encaram uma empreitada muito ousada: Acabar com a fome na áfrica. Logicamente que não conseguiram acabar com a fome de todo o continente, mas conseguiram mobilizar muita coisa e chegaram a avanços reais em relação à redução da pobreza na África. Chamo atenção para alguns pontos:

- A capacidade de um músico realizar uma mudança real no mundo: Diminuiu muito a dívida dos países africanos com os países mais ricos do mundo e aumentou os subsídios para saúde e prevenção.

- Se o congresso brasileiro é conservador e difícil, imagine o dos Estados Unidos. Neste documentário é possível ter noção da dificuldade que são as negociações por lá.

Vale a pena assistir para ver a relação direta entre política e música.

Bom filme!

PARTE 8 - A caridade pode salvar o mundo? E o dinheiro, pode?



A década de 90 marca o início do envolvimento das celebridades no ativismo social. O filme de Bosse Lindquist acompanha as atividades de duas personalidades famosas, Bob Geldof e Bono. Desde Live Aid até Make Poverty History a imagem desses artistas está vinculada a ideia de ajudar os pobres. Mas esses esforços surtem efeito? A caridade realmente ajuda?


Director Bosse Lindquist
Producer David Herdies
Produced by Momento Film & Steps International

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Pondera #00 Sem Comentários

Pondera #00

Na timeline:

Vejo aquela pessoa 
cheia de verdades
cheia de ditames
cheia de vaidades

Vejo, e penso 
desmascará-la
provocá-la
confrontá-la

Escrevo um comentário 
raivoso
venenoso 
mortal

Respiro
uma
duas
três vezes

Penso 
Tantas vezes fui e sou incoerente
E que essa é a condição de ser humano
E que o perdão está em entender essa condição

Releio o comentário 
compaixão
serenidade
amor

Apago-o
Evito a negatividade
Evito uma guerra
Escrevo esses versos
Cultivando a paz

Que bom se as palavras faladas 
também pudessem ser apagadas.
Talvez por isso grandes sábios
Falam somente o necessário

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quereres

Querer ser um desses hómi palitinho!

Ou ser essa fogueira!

Ah, bruta flor do querer!

Bom dia vida, ói que eu te pego!


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Imagem é poder

Esquece o que há por detrás

Esquece o bastidor

Esquece o antes

Esquece o depois

Em tempos de timeline

Já diria um bom comunicador: O que importa é sair bem na foto.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Eita...

Eita Boldrin... Eita Milton...

Carro de Boi
Milton Nascimento

Que vontade eu tenho de sair
Num carro de boi ir por aí
Estrada de terra que
Só me leva, só me leva
Nunca mais me traz
Que vontade de não mais voltar
Quantas coisas eu vou conhecer
Pés no chão e os olhos vão
Procurar, onde foi
Que eu me perdi
Num carro de boi ir por aí
Ir numa viagem que só traz
Barro, pedra, pó e nunca mais

Caçador de Mim
Milton Nascimento
 
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu, caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

https://www.youtube.com/watch?v=8qd3FxrNzMY

sexta-feira, 20 de março de 2015

A favor do Outono


Hoje é um dia muito especial.

É equinócio, às 19:45 começa o outono no hemisfério sul. Também está ocorrendo um eclipse solar (não dá para ver daqui donde estamos). E também ocorre a superlua, momento que a lua está mais próxima da terra.

Li em diversas fontes que esse dia é especial para mudar hábitos que devemos deixar para trás, realizar mudanças na nossa vida e na nossa consciência. Vamos nos manter conectados com nós mesmos e com a natureza,  observando o céu, as árvores, as plantas, etc. E principalmente nos observando, saindo de nossos automatismos.


Como estou estudando francês agora, posto essa canção que fala sobre amor e outono.

E que venha o friozinho curitibano! Bom outono! Boas Vibrações!



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Não existe mente silenciosa - Osho


Texto de Osho sobre a mente
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As pessoas vêm a mim e perguntam: "Como alcançar uma mente pacífica"? Eu digo a eles: "Não existe mente pacífica. Nunca ouvi falar disso".
A mente nunca é pacífica, a não-mente é a paz. A mente em si nunca pode ser pacífica, silenciosa. A própria natureza da mente é estar tensa, pronta para a confusão. A mente nunca pode ser clara, não pode ter clareza, porque a mente é por natureza confusa, nebulosa. A clareza só é possível sem a mente, a paz é possível sem a mente, o silêncio é possível sem a mente, por isso nunca tente alcançar uma mente silenciosa. Se você fizer isso, desde o início você está se movendo em uma dimensão impossível.
 
Osho, Tantra: The Supreme Understanding, Talk #2
Lembre-se sempre que tudo o que está acontecendo ao seu redor está enraizado na mente. A mente é sempre a causa, o projetor está fora, há apenas telas, você se projeta. Se você sente que é feio, então mude a mente. Se você sente que tudo o que vem da mente é infernal e um pesadelo então libere a mente. Trabalhe na mente, não com a tela, não vá pintá-la e tentar mudá-la. Trabalhe na própria mente. Mas há um problema, você pensa que é a mente. Então como você pode largá-la? Você sente que pode largar tudo, mudar tudo, pintar, redecorar, reorganizar, mas como você pode abandonar você mesmo? Essa é a raiz de todos os seus problemas. Você não é a mente, você está além da mente. Você se tornou identificado com ela, isso é verdade, mas você não é a mente. E este é o objetivo da meditação: dar-lhe pequenos vislumbres de que você não é a mente. Se por alguns momentos a mente pára, você ainda está lá! Pelo contrário, você é mais, transbordando com o ser.
Quando a mente pára, pois é como se fosse uma drenagem continuamente fluída e você a pára  de repente, você está transbordando de energia. Você se sente mais!
Se mesmo por um único momento você se torna consciente de que a mente não está lá, mas eu sou, você atingiu o núcleo profundo da verdade. Daí então vai ser fácil sumir com a mente. Você não é a mente, caso contrário, como você poderia sumir com si mesmo? A identificação deve ser descartada em primeiro lugar, então a mente pode ser descartada.
 
Osho, The Book of Nothing: Hsin Hsin Ming, Talk #5
 
Quando toda a identidade com a mente cair, quando você é um observador nas colinas e a mente fica lá no fundo na escuridão dos vales, quando você está nos picos ensolarados, apenas uma testemunha pura, vendo, observando, porém não se identificando com qualquer coisa - boa ou ruim, pecador ou santo, isto ou aquilo - percebemos que todas as questões se dissolvem. A mente se derrete, evapora. Você é deixado como um ser puro, apenas uma existência pura, uma respiração, um batimento do coração, totalmente no momento, sem passado, sem futuro, portanto não há presente também.
 
Osho, The Dhammapada : The Way of the Buddha , vol. 1 , Talk #6
 
A mente é ilusória, parece existir, mas não existe, parece tanto existir que você acha que você é a sua própria mente. A mente é maya, a mente é apenas um sonho ilusório, a mente é apenas uma projeção, não há nada nela, parece com uma bolha de sabão flutuando sobre um rio. Quando o sol está subindo, os raios penetram na bolha e um arco-íris  se cria e não há nada nele. Quando você toca a bolha ela se rompe e tudo desaparece, o arco-íris, toda a sua beleza, nada sobra. Apenas o vazio se torna um com o vazio infinito. Apenas uma parede estava lá, a parede da bolha. Sua mente é apenas a parede da bolha: dentro, o seu vazio, fora, o meu vazio. É apenas uma bolha, toque e a mente desaparece.
 
Osho, A Bird on the Wing, Talk #2
Você diz: "Por que você é tão contrário a mente"? Eu não sou contra a mente, estou simplesmente dizendo a verdade, dizendo o que é a mente. Se você ver o que a mente é, você vai cair. Quando eu digo solte a mente, eu não sou contra a mente. Estou simplesmente deixando claro para você o que a mente é, o que ela tem feito com você, como ela tornou-se um cativeiro para você.
 
Não é uma questão de usá-la ou abusar dela. A mente em si é o problema, não o seu uso ou abuso. E lembre-se, você não pode usar a mente até que você saiba estar sem a mente. Somente as pessoas que sabem como ficar sem a mente são capazes de usar a mente, caso contrário, é a mente que os usa. É a mente que está usando você, mas a mente é muito inteligente, ela vai enganar você. Ela continua dizendo: "Você está me usando".
É a mente que está usando você. Você está sendo usado, a mente tornou-se o mestre em você, você é um escravo, mas a mente é muito inteligente, ele vai se justapondo em você. Ela diz: "Eu sou apenas um instrumento, você é o mestre" mas cuidado, olhe para o mecanismo da mente, como ela continua a usar você. Você acha que você a está usando. Você pode usá-la somente quando você sabe que você está separado dela, caso contrário, como você vai usá-la? Você está identificado com ela.
 
Osho, The Book of Wisdom, Talk #2

Osho,
A mente e a consciência são coisas separadas? Ou a mente em silêncio ou a mente concentrada é o que é chamado de consciência?
Depende, depende da sua definição. Mas, para mim, a mente é a parte que tem sido dada a você. Ela não é sua. Mente significa que algo foi emprestado, mente significa algo cultivado, a mente significa o que a sociedade tenha penetrado e imposto a você, não é você.
Consciência é a sua natureza, a mente é apenas o invólucro criado pela sociedade ao seu redor,  pela cultura, pela sua educação.
Mente significa condicionamento. Assim você pode ter uma mente hindu, você não pode ter uma consciência hindu. Você pode ter uma mente cristã, você não pode ter uma consciência cristã. Consciência é uma só, não é divisível. As mentes são muitas. As sociedades são muitas, as culturas, as religiões são muitas e cada cultura, cada sociedade, cria uma mente diferente. A mente é um subproduto social. E a menos que essa mente se dissolva, você não pode voltar-se para dentro de si, você não pode saber qual é realmente a sua natureza, o que é sua existência com autenticidade, o que é sua consciência. O esforço pela meditação é a luta contra a mente. A mente nunca é meditativa e a mente nunca é silenciosa, não se pode falar de uma mente silenciosa não tem sentido, é absurdo. É como dizer uma doença saudável. Isso não faz sentido. Como pode haver uma doença que é saudável? A doença é a doença e saúde é a ausência da doença. Não há nada como uma mente silenciosa. Quando há silêncio, não há mente. Quando existe mente, não existe silêncio. Mente como tal é perturbação, o mal-estar. A meditação é o estado de não-mente e não de uma mente silenciosa, não uma mente saudável, não uma mente concentrada, não. A meditação é o estado de não-mente: com nenhuma influência da sociedade sobre você, sem condicionamentos dentro de você, apenas você, com a sua consciência pura.
Osho, The New Alchemy : To Turn You On , Talk #27

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Preconceito? É fácil falar é fácil se....


Não é porque você não sente os efeitos de algo que isso não exista.
É fácil falar: "a sociedade não é racista", sendo branco.
É fácil falar :"a sociedade não é homofóbica", sendo heterosexual.
É fácil falar: "a sociedade não é machista", sendo homem.

Abaixo o texto escrito por minha companheira, Kamylla Paola dos Santos.


Tem gente que ainda insiste em criticar o dia da consciência negra, o sistema de cotas raciais nas universidades e concursos, as reflexões feitas sobre a importância da população negra para o Brasil. Isso me fez lembrar a história de vida do meu pai, que lutou a vida inteira pra tentar ser branco e no último mês de vida percebeu que era negro e que isso era bom. Só quem SENTE NA PELE é que sabe...meu pai demorou UMA VIDA INTEIRA pra construir sua autoestima. Negro, tornou-se professor universitário, estudou muito e não era menos capaz que outra pessoa. Ele aproveitou a oportunidade que teve, após sair de um trabalho escravo no interior de SP como cortador de cana. Apenas no último MÊS de vida, após uma conversa que tivemos, ele parou, pensou e disse: "Puxa, sempre quis negar essa negritude. Ela sempre me fez sofrer e ser menos que muita gente". Quando ele entrou na última faculdade em que deu aula, os professores e alunos o chamavam de "professor crioulo". Ele lutou muito, mas muito mesmo contra o racismo institucional e dos alunos e tornou-se o coordenador do curso. Foi quando ele pensou: Puxa, MESMO SENDO NEGRO consegui chegar aqui. E isso só aconteceu depois de muita conversa, de muita leitura e reflexão. É bem difícil mesmo quando você não sente, não passa por isso. E ainda tem gente que acha que o silenciamento sobre o racismo é a melhor saída. Meu pai me disse que só conseguiu se aceitar e se sentir feliz quando percebeu que o negro podia estar na faculdade, podia dar aula, que não era inferior a ninguém. E isso aconteceu graças aos vários pensadores e pensadoras negras, às políticas afirmativas e aos dias da consciência negra, que o fizeram refletir e se sentir GENTE. Não é fácil ter orgulho de sua identidade sabendo que sua avó foi estuprada por um senhore de engenho, sabe. Quando não conseguimos saber quem era e como viviam nossos antepassados, simplesmente porque eram mercadoria de algum fazendeiro desse Brasil. Chega a doer quando vemos comentários que falam que existe igualdade. Gostaria muito que existisse, luto para que isso aconteça. Luto diariamente na universidade, na rua, na arte, na vida. Luto pela igualdade, pela melhoria do sistema escolar, pela reflexão.

sábado, 9 de novembro de 2013

Zumbi dos Palmares - Polêmica


Muitas pessoas têm argumentando contra o feriado de Zumbi dos Palmares utilizando uma informação que consta no livro "Guia politicamente incorreto da história do Brasil" de que Zumbi teria tido escravos no Quilombo dos Palmares.

Tenho contra-argumentado dizendo que o próprio autor do livro considera que deveria ser feriado e que Zumbi deveria ser um herói nacional.

No período em questão era comum ter escravos. É preciso ponderar que não apenas Zumbi teve escravos. Tiradentes, o grande herói nacional, cujo nome está na principal praça de Curitiba, tinha, pelo menos, 5 escravos. Lembrando que o dia 21 de abril é feriado em memória a Tiradentes.

Para entender melhor a questão, leia o artigo abaixo, escrito pelo autor do livro.

Quem disse que sou contra Zumbi?

Publicado em 21/11/2010 por Leandro Narloch
Veio o 20 de novembro, dia da Consciência Negra, e muita gente me citou pra falar que Zumbi não merecia um feriado. Uma notinha no Zero Hora defendeu que talvez “a homenagem seja tremendamente injusta pois, segundo Leandro Narloch, Zumbi (ou, talvez, Zambi), era um tremendo mau-caráter, que capturava escravos nas fazendas vizinhas para trabalhos forçados no quilombo (…)”.

Preciso dizer: eu apoio a ideia do Dia da Consciência Negra e não tenho nada contra Zumbi. Digo no livro – e essa é uma das afirmações mais famosas do Guia – que Zumbi tinha escravos. A afirmação geralmente causa faniquitos na turma no Movimento Negro, mas é preciso entender o seguinte: não diminui Zumbi lembrar que ele provavelmente foi um rei negro com servos e escravos. No século 17, época em que viveu, não era um crime nem um pecado ter gente. Zumbi praticava um ato aceito pela lei, pela religião, por séculos de uma tradição tão antiga quanto o Remador de Ben-Hur. Não devemos condená-lo com os valores de hoje – nem ele nem os outros senhores escravistas, brancos ou negros, da mesma época.

A escravidão influenciou tanto o Brasil que merece, sim, um feriado à sua memória – e Zumbi é um personagem essencial dessa história. Para atestar a importância do homem, basta lembrar os modos e delicadezas com que o rei português escreveu a ele, em 1685:

Eu El-Rei faço saber a vós Capitão Zumbi dos Palmares que hei por bem perdoar-vos de todos os excessos que haveis praticado (…), e que assim o faço por entender que vossa rebeldia teve razão nas maldades praticadas por alguns maus senhores em desobediência às minhas reais ordens. Convido-vos a assistir em qualquer estância que vos convier, com vossa mulher e vossos filhos, e todos os vossos capitães, livres de qualquer cativeiro ou sujeição, como meus leais e fiéis súditos, sob minha real proteção.

Minha critica não é contra Zumbi, mas contra o que se fez com a imagem dele. O mito ganhou, de alguns historiadores combatentes de décadas atrás, o retrato de um herói socialista, igualitário, camarada – carimbos que não existiam no século 16. Também acho que a estratégia atual da maior parte do movimento negro (de exigir reparações históricas e discriminações positivas) divide o pais e causa um ressentimento (estúpido) contra os negros. Isso faz mal a Zumbi. Ele fica limitado a ser um herói apenas do movimento negro – quando é um ícone de toda a história do Brasil.

http://guiapoliticamenteincorreto.wordpress.com/2010/11/21/quem-disse-que-sou-contra-zumbi/

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ponderando o racismo...

Escrevi esse texto para postar no Facebook, como achei que ele resume diversas coisas que venho "ponderando" achei apropriado reativar o blog com minhas atuais "ponderações".

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Essa é pra quem diz que o racismo acabou. Pelo que tenho percebido, as pessoas dizem que não existe mais racismo, em geral, porque elas não se vêem como racistas e, as vezes, realmente não são. Mas não ser racista não significa que o racismo do Brasil e do mundo acabou.

No Brasil foram mais de 350 anos de escravidão dos povos africanos. O racismo contra negros ainda leva algumas gerações para acabar de vez e por isso políticas afirmativas, como cotas para negros nas universidades e o feriado do dia 20 de novembro, são necessárias.

Antes de formular uma opinião sobre tudo isso é preciso se informar. Apesar de haver uma lei FEDERAL que torna OBRIGATÓRIO o ensino da história da população afro brasileira em TODAS as escolas do Brasil, sejam elas públicas ou particulares, a maioria das escolas e dos profissionais de educação não estão ensinando nada disso.

A lei 10.639/03 não está sendo cumprida em parte por falta de preparo, e em parte por falta de interesse. Vida longa àqueles que lutam diariamente para que a história da população negra deixe de ser negligenciada. O mesmo vale para a população indígena que também passa por semelhante problema, guardadas as devidas particularidades.


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Recomendo a leitura do texto a seguir, publicado originalmente no blog destilariadabola.wordpress.com 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Promoção no Facebook

PROMOÇÃO:

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Mobilização contra o Pastor Marcos Feliciano na comissão de Direitos Humanos da Câmera

Em Curitiba, 09/03/2013, na mobilização contra o Deputado Pastor Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Para quem não sabe o Deputado/Pastor é contrário aos homossexuais, considerando-os como pessoas doentes. Também é contrário aos negros, considerando-os "amaldiçoados por Deus".

Ok, só que este Deputado foi eleito para presidir uma comissão cujo um dos principais objetivos é defender os direitos das minorias, ou seja, homossexuais, negros, indígenas. 

Como ele fará isso sendo ele mesmo contrário a estas populações?

Um argumento sempre utilizado contra os homossexuais é o de que estes não sabem criar filhos, que sofreram abusos na sua criação. Pois lá na Santos Andrade estava um senhor, pai de seis filhos, dois homossexuais, que estava lá pra defender seus filhos ante a criminalização da sua opção sexual. Também estava lá um casal de dois homens Gays que adotaram um filho. O menino também estava lá e gritava: DEIXEM MINHA FAMÍLIA EM PAZ!!! 

Será que a sociedade não avançou em nada neste sentido? Está na hora de rever os conceitos... Passou da hora...



Confira este vídeo feito durante a manifestação de Sábado:


Confira fotos da manifestação de sábado:






sábado, 29 de dezembro de 2012

FILME: As aventuras de Pi

Gente,

Vi o trailer deste filme e fui ao cinema esperando assistir um filme de ação, com muitos animais, e só.

Me surpreendi com a história deste filme. O personagem principal apresenta uma compreensão da vida, dos mistérios, das religiões e de Deus como eu nunca havia visto em um filme.

Recomendo, muito!

Vá ao cinema e assista "As aventuras de Pi"!



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim do fim do mundo (que nunca começou)


Só há um medo a respeito de amanhã, do dia 21/12/2012, do calendário Maia, do fim do mundo, e de qualquer coisa que possa existir na vida: O medo da morte.

A morte, "o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre." (CHICÓ - Auto da compadecida)

Para Osho: "só é possível relaxar quando a morte é uma certeza. Relaxar é difícil quando as coisas são incertas. Se você souber que você vai morrer hoje, todo o medo da morte irá desaparecer. Qual o sentido de desperdiçar tempo? Você tem um dia para viver: viva tão intensamente quanto possível, viva tão totalmente quanto possível.

(...)

Existem duas maneiras de viver.
Uma é à maneira do Búfalo. Ele vive horizontalmente, numa linha simples.
A outra é à maneira do Buda. Ele vive verticalmente, na altura e na profundidade. Assim cada momento pode se tornar uma eternidade."


Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida

Raulzito - Canto Para minha morte

Leia mais: 

http://www.osho.com/Main.cfm?Area=Magazine&Sub1Menu=HaveATaste&Sub2Menu=emotionalecology&AddURLArgs=?Nr=46

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O ritual do Pagode

Este blogue é um blogue bem geral, e por isso eu coloco de tudo aqui...

Ando ponderando muito sobre a questão do negro, as religiosidades brasileiras, a musicalidade brasileira, etc.

Segue um texto de Martinho da Vila sobre "o Ritual do Pagode"



O RITUAL DO PAGODE


Batuques, pagodes, partidos-altos, batuqueiros, pagodeiros e partideiros se confundem e se fundem, desde o início quando tudo começou nas senzalas.

Há diferenças musicais imperceptíveis entre o partido alto e o samba de partido-ato. Este é quase um samba de terreiro atualmente chamado de “quadra” que são feitos para animar os ensaios. Tem a primeira parte definida e a segunda improvisada em maiores regras. Já o partido-alto é composto com um refrão e uma parte improvisada em cima do tema. Tem característica rítmica definida e maneira especial de dançar. O partido-alto creio eu surgiu nas rodas de batucadas que já não existem mais...Ah! como eram emocionantes. Nas escolas de samba, quando terminavam os ensaios e as visitas iam embora, começavam as batucadas.

Eram um barato! Recolhidas as peças de bateria, ficavam somente um ou dois pandeiros. Formavam-se uma roda, o partideiro puxava o refrão, a turma repetia e firmava o compasso com palmas de mão. Seguia-se um desafio de versos e pernadas. No meio da roda, um partideiro animando e um outro “plantado”, isto é, parado com os calcanhares juntos, braços abertos para equilibrar melhor o corpo, joelhos meio dobrados e olhos atentos nos pés de um outro, que dançava para distraí-lo, devagar, devagarinho, gingando e fazendo mesuras para, repentinamente manda-lhe uma rasteira. Podia se dançar em volta do “plantado”, mas não se dava rasteira por traz, isto é, ninguém “pegava” pelas costas, muitos preferiam “plantar” com os joelhos e ponta dos pés unidos, calcanhares separados, mais em ambos os casos, o ”plantado” não podia se mexer. Os mais folgados plantavam com uma perna só e a outra fazendo um quatro, o que facilitava muito o corcoveio ou o salto de banda, mas, nesta posição o parceiro preferia sempre bater “o firme” e quando pegava de jeito a queda era feia. Muitos braços se quebravam nas batucadas. Alguns especialistas batiam de “letra” o parceiro caia de lado. Era desmoralizante. Neste caso o batuqueiro que aplicava a “letra”, corria o risco de cair se o “plantado” estivesse bem firma no chão. Mais desmoralizante ainda. O “amarrado”, era a pernada mais bonita. Com o joelho desequilibrava-se o parceiro e encaixava-se o gancho com a mesma perna. Não era necessário força e a queda era lenta.

Os grandes batuqueiros eram chamados de “pernas”. Lucas era um reduto de “pernas”. Eu ainda miúdo batuquei com muitos “pernas” famosos como Timboca, Juarez, o Ailton Cuiqueiro e o Murilão, todos da Boca do Mato, bem como o Clovis e o Valdô Tigre, ambos da Água Santa, ou o Jonjoca e o Xisto, mestre-sala da Cachoeirinha e o Tidoca do Cabuçu. O Guarnair da Chave de Ouro, no Tabuleiro da Bahiana, na Cachoeirinha, na Cachoeira e nos piqueniques da Moreninha e Paquetá, locais de reunião de grandes batuqueiros.

As batucadas se acabaram, mas a dança do partido alto ficou. E como é bonito nos pés do Ubirani do Cacique, bem como nos pés do Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Itacy do Império, Tia Nenen e Tia Zezé do Salgueiro, Genilsom Veneno da Mangueira, Dona Doca e toda a Velha Guarda da Portela.

Enquanto o canto do partido ganhou novas formas, penetrou nos grandes acontecimentos musicais, entrou no disco e atingiu o consumo, os pagodes onde são incluídos todas as formas de samba dançavel livremente, foi chegando de mansinho e continua ganhando terreno. Dos fundos de quintal dos subúrbios, foi para as portas de botequins, no centro da cidade, casas noturnas, teatros.

O pagode é uma festa e como gênero de música é qualquer samba com a linguagem e temas do cotidiano. A Fina Flor do Samba, no Teatro Opinião era um grande pagode assim como foi também o Zicartola, organizado em 64 na rua da Carioca e, mais ou menos na mesma época Candeia organizava o grupo de pagodeiros registrado em disco como Mensageiros do Samba, do qual faziam parte o próprio Candeia tocando cuíca, e mais, Casquinha, Bubu, Davi do Pandeiro, Arlindo e Picolino. O Zicartola deu origem ao grupo Rosa de Ouro formado por Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Elton Medeiros, Anescarzinho, Aracy Cortes e Clementina de Jesus. Que maravilha era o Rosa de Ouro! Alguns anos depois o grupo passou a se chamar Os Cinco Crioulos com Mauro Duarte em lugar de Paulinho da Viola que ganhava vida própria, assim como Aracy e Clementina. Zé Keti também na briga deu a sua colaboração com o grupo A Voz do Morro, que no duro do duro, era a mesma patota: Elton, Jair, Anescarzinho e Paulinho acrescido de Zé Keti, Oscar Bigode e Zé Cruz que tocava chapéu de palha e depois o grande Nelson Sargento. O pagode já está acontecendo no ambiente familiar dos apartamentos.

Pra se formar um pagode em casa, basta reunir um grupo de amigos que esteja a fim de vadiar em comunidade, servir cachaça, cerveja e batida como bebida; mortandela, salaminho e pastel ou qualquer outro salgadinho como petisco. Colocar um disco na vitrola e deixar o pessoal batucar em cinzeiros, garrafas, copos, pratos, panelas, cada um a sua maneira, tentando acompanhar o ritmo. Os mais desinibidos devem incentivar os outros a libertar o corpo, soltar as gargantas, mexer com as mãos. Devagarinho vai se criando o clima, e antes da terceira hora o pagode esta formado. Por favor, nada de serviçais uniformizados. Misturem os empregados com as revistas, pois negro trabalhando em pagode sem poder participar é tortura. Bem, fica melhor sem aparelhagem de som, mas tem que ter uma boa turma que esteja por dentro dos refrões e partidos, um que toque tan-tan, outro pandeiro, um outro mais cavaquinho em pagodeiro que saiba puxar os sambas que a gente bota no ar, mas não podem faltar os sons do Zeca Pagodinho, do Almir Guineto, Bezerra da Silva, Grupo Fundo de Quintal...

No dia seguinte, uma sensação de liberdade, assobios pelas ruas, mãos batucando nos volantes do trânsito congestionado.

Atenção! É importante que as bebidas quentes sejam trazidas pelos convidados e que as geladinhas sejam compradas na hora, aos poucos, com todos participando da vaquinha.
Tem mais. Pagode sem mulher dando sopa não dá pé e só fica realmente “da pesada” quando rola uma sopa com várias colheres no mesmo prato pra se tomar em conjunto. É o ritual.


Texto extraído da contracapa do disco Martinho da Vila Batuqueiro (1986), gravadora RCA.